quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O reino de Deus e os democratas da religião (Por Alan Brizotti)


Lênin dizia que "a democracia é o regime político onde o povo escolhe quem irá oprimí-lo pelos próximos quatro anos" . No âmbito da igreja, afirmamos (e gostamos de afirmar!) que somos, estamos e pregamos o reino de Deus, contudo se lançarmos um olhar ligeiramente crítico perceberemos uma contradição: somos pregadores do reino, mas democratas ferrenhos em nossas atitudes.

Explico: nossa teologia é desenvolvida sob a ideia (hoje cada vez mais falsa) de que Deus é o Supremo Rei desse reino, entretanto a cada dia que passa surge um novo Primeiro-Ministro com a incrível capacidade de "influenciar" as decisões desse suposto rei celestial. Como igreja, estamos cada vez mais destituindo Deus do seu posto de autoridade suprema. Nossos vaticaninhos adoram posições de comando, amam a brincadeira suja do poder e, francamente, um Deus Rei Todo-Poderoso atrapalha muito...

Presidências vitalícias, bispados, apostolados, papados (esse a gente disfarça sob o eufemismo de "Pai", que não passa de redundância...) são tentativas infantis de afastar Deus de seu trono. Aliás, "trono" é uma palavra que sutilmente vai sumindo de nosso meio - ou sendo humanocentralizada - nossos tronos (multiplicidade e individualismo). Se a gente pudesse já tinha organizado um plebiscito para saber quem ainda quer Deus no comando (mas pense: quantos iriam querer Deus comandando do jeito dele?).

O sonho de muitas igrejas é ter autoridade suficiente para colocar na placa: sob nova direção! É o sub-céu, a mentalidade de César. Como funcionário de uma grande empresa que vai envelhecendo, demitimos Deus e assumimos a gerência de sua celestialidade. Dizemos do que ele gosta e o que ele abomina. À lá irmão do filho pródigo, questionamos sobre as pessoas que Deus resolve colocar em suas festas (Lc. 15. 25-32).

Tenho um alerta aos democratas da religião: o desejo luciferiano de tirar Deus do trono não é novo, as consequências também não. Para a igreja que insiste em brincar apenas com as facetas belas do Deus-amor, é fácil esquecer que ele também é justiça - e uma justiça que nunca é cega!
Como disse Thomas Brooks: "A ambição é miséria enfeitada, veneno secreto, praga oculta, executora do engano, mãe da hipocrisia, progenitora da inveja, o primeiro dos defeitos, ofensora da santidade e aquela que cega os corações, transformando medicamentos em doenças e remédios em males. Os lugares altos nunca deixam de ser incômodos, e as coroas estão sempre repletas de espinhos".


Subversivos do reino, uni-vos!


Até mais...


Alan Brizotti

EU SEI QUE POSSO CONFIAR!

Mais um ano chega ao fim, e nesta época começo então a lidar com emoções confusas, faço um balanço geral e descubro algumas frustrações: Projetos não concluídos, sonhos não realizados e até por pessoas que se foram.
Passo então a compreender o texto que diz: (parafraseando) "muitos são os planos do coração do homem, mas cabe somente a Deus executá-los". Percebo que na tentativa de visualizar as promessas de Deus eu me torno como uma criança sem experiências e grandes aspirações, que anseia a chegada do dia em que o Pai lhe entregará o que prometeu.
E neste ínterim encontro um tremendo obstáculo, pois não posso, não consigo compreender o chamado "tempo de Deus" o tão conhecido KAIRÓS; é onde então que eu: Ser humano, cheio de erros, defeitos e dificuldades passo a me frustrar em decorrência do tempo.
Então encontro Pedro, ao final de sua primeira epístola, depois de trazer várias regras para o bom caráter cristão e sintetizar o sofrimento por amor a Cristo, escrever: "Lançando sobre ELe toda a vossa ansiedade, por que Ele tem cuidado de vós..."
Compreendo então que não há nada perdido, uma vez que meus sonhos, projetos e aspirações estão nas mãos de Deus, o meu Pai. Cabe a ELe dizer o momento e ocasião certos para que cada sonho seja cumprido.
Preciso pedir perdão ao Pai, pois ao olhar o caminhar de mais um ano meu coração quis se frustrar, mas sei que na verdade foi mais um ano em que Ele cuidou de mim.
Posso então cantar: "Porque te abates ó minha alma? e te comoves perdendo a calma? não tenhas medo, em Deus espera, por que bem cedo Ele virá".
Eu sei que posso confiar...

Deus vos abençoe.
Felipe Henrique.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

DIFÍCIL MESMO É SE CONVERTER!

Converter-se a Deus implica literalmente em tornar-se à Ele; mas fato é que esta atitude é extremamente dolorosa, pois isso significa negar-se, aceitar desafios e por consequência imitar, seguir Jesus.
A Biblia enfatiza que para nos enchermos de Deus, devemos nos esvaziar por completo de nós mesmos, por isso que é tão dificultoso uma pessoa ser realmente cheia do Espirito Santo de Deus, pois é preciso controlar nosso ego, nossos conceitos sobre tudo (Já que somos os donos da verdade, ou pelo menos nos sentimos assim.) e aceitar que o próprio Deus molde nosso caráter problemático e doente. Isso força-nos a deixar a meninice e o egocêntrismo de lado e nos desafia a abrir mão de nossas vontades para aceitar a idéia de que Deus ainda esta no controle do mundo, da igreja e principalmente de nossas vidas.
À medida que nos enchemos de Deus passamos então a provar dos dissabores da vida terrena e cotidiana, uma vez que o mundo, por causa do pecado, odeia a Deus... Nos odiará também! A ponto de nos perseguir e de nos submeter a momentos dolorosos, mas é mister que isso aconteça, o Senhor nos disse que seria assim; esses momentos despertam em nós a saudade do céu, da comunhão que tínhamos com Deus no início de tudo e nos traz a memória o doce sentimento que o filho tem de estar no colo do pai. Não por questão do colo, mas da pessoa do pai... Ele está seguro ali!
Se queremos de fato ter uma história, uma vida com Deus, precisamos então buscar dia após dia nossa completa conversão à Ele. É bem verdade que passaremos por tribulações, turbulências... Tempestades, mas nada, absolutamente nada! Poderá se comparar à alegria de passar a vida terrena e eterna na presença dEle.

Deus vos abençoe.
Felipe Henrique.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

10/Novembro

Sinceramante, gosto de pensar que estou incomodando...me da uma enorme satisfação, uma sincera vontade de dar risadas e uma força tremenda para continuar!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"A glória da simplicidade..."

“Temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma forma corrompidos os vossos entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”. (II Co. 11.3)
O matemático e administrador alemão, Helmar Nahr, disse: “Simplicidade é a coragem de abordar o essencial”. A beleza mais nossa de todas está no que é simples pois, continua ali, todos os dias, porém esquecida. A poeira das grandiosidades, o clarão ofuscante dos holofotes e das excentricidades, o barulho ensurdecedor dos aplausos, ofuscam a glória que habita na simplicidade.
Mesmo nessa aldeia global que vivemos, a grande maioria das pessoas pega suas famílias e se embrenha em trilhas, parques ecológicos, fazendas, cachoeiras, numa fuga da modernidade. Uma incrível vontade de abraçar o que é simples. Como é bom sentir o cheiro das flores do campo, tomar aquele café moído na hora, colher a fruta em seu “berço” natural, em sua essência, acordar ao som melodioso dos pássaros (que nunca seguem “novas tendências musicais”, mas sempre mantém um canto que encanta), admirar a incrível beleza da noite estrelada que, por causa de nossos prédios e luzes, fica ofuscada. É nossa saudade do Éden. Ecos de uma celestialidade que nos habita.
A palavra “papai”, simples, mas quando, pela primeira vez é balbuciada por um filho, se reveste de um encanto especial, uma magia, um cintilar de graça. Os primeiros meses do casamento, a maravilha da vida a dois. Coisas simples, momentos que parecem eternos. É óbvio que tudo tem a tendência de crescer, evoluir, "adultizar", abraçando a chata inclinação ao esquecimento, à corrupção, à desvalorização, à terrível doença do costume. Quando nos acostumamos, na maioria das vezes, perdemos o encanto pelas coisas simples.
No magistral “Sermão do Monte”, Jesus dá uma aula magna de simplicidade. Em Mateus 6.28 e 29, ele diz: “Quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Observai como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem fiam. Eu, porém, vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles”. A grandeza e glória de Salomão não podiam ser comparadas à beleza de um simples lírio do campo. Quando penso sobre isso, nasce em mim o desejo de encontrar um lírio na paisagem árida desse deserto cotidiano.
Deus valoriza a simplicidade. Jesus é a prova disso. Ele é o Deus que vem morar com a gente. Que vem para nos possibilitar o sorriso e, não há nada mais simples do que um sorriso. Em Jesus, o Deus de toda Glória, abraça toda a simplicidade.
Sejamos assim!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O reino encantado da profetolândia

Um lugar onde os profetas levita(m)

Existe um lugar onde o surto profético é completamente liberado. Basta dois crentes se encontrarem e pronto: bate um arrepio, um clima de mistério e... lá vem profetada! A configuração é simples: uma lágrima ungida aqui, um lenço suado pela divindade manifesta. Tudo anda de acordo com a sensação do momento.
Na profetolândia tudo é profético. Até as roupas são escolhidas de acordo com a autoridade necessária na ocasião (principalmente quando são Daslu ou Armani). Chifres e óleos são abundantes. É tanto óleo que as pessoas parecem salgadinhos ungidos na feira da religiosidade tupiniquim.
A autoridade maior é o apóstolo (visto que toda a população é profeta). Só há um ministério: o da fazenda! Aqui renomeado: Ministério da Prosperidade. A bandeira tem um cifrão entrelaçado a um cajado, um shofar, a sombra de uma cruz e um balde de azeite de Israel. Na profetolândia não existe passado, pois os profetolandenses apenas determinam o futuro de conquistas!
Tudo é azul na profetolândia, visto que preto é suspeitíssimo. A televisão local chama-se "TV Sinal", porque nós acreditamos em milagres! A programação é bem simples: milagres de manhã, de tarde e de noite. De madrugada, milagres contra a insônia e o marido que ronca. Os intervalos comerciais vendem de tudo: Bíblias para todos os gostos, protetor solar "Debaixo do sol", arca da aliança em miniatura (com um shofarzinho dentro), candelabro comestível, e por aí vai...
Na profetolândia deu muito trabalho para nomear o local onde se jogaria o lixo. Alguns sugeriram "inferno", mas não deu certo, pois de vez em quando, alguns profetolandenses gostam de "saquear o inferno", aí já viu, não ia prestar. Então, depois de longas campanhas, nomearam o tal local (devidamente fora de seus limites sagrados) como "maldição". Daí em diante, toda maldição lançada pelos profetolandenses tem endereço certo: lixo!
Se você quiser conhecer essa terra que mana "leite e sabor de mel", consulte seu agente de viagem espiritual, numa neopentecostal mais próxima.
Ah, não posso entrar na profetolândia. Minha conta bancária (ops!, passaporte) não permite.

Fonte: http://www.alanbrizotti.blogspot.com.br/

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

"DEUS DEMAIS É IDOLATRIA!"

"Deixemos o céu aos anjos e aos pardais" (Heine, Deutschland, caput I)
Fundo do poço à vista! Perdeu-se o respeito por Deus. Deus tem se tornado uma espécie de tragédia otimista do brasileiro. É a desculpa dos que não querem mudar. Camuflados sob o tal de "sentir o que o coração de Deus sente", a igreja sente de tudo, menos vergonha. Estão transformando Deus numa espécie de "gênio da garrafa", aquele que satisfaz meus três mediocres desejos, e depois é devolvido à solidão da garrafa.
Deus tem se transformado numa marca de alta rentabilidade. Seu nome circula por todos os lados: de adesivos risíveis (a velha "criatividade" duvidosa dos marqueteiros cristãos), a placas pífias de igrejas, Deus está em todas! (Será?).
O termo "Deus" tem se tornado um ornamento verbal. Com isso, o estelionato dos conteúdos segue firme. Eugene Peterson escreveu: "Quando reduzimos Deus a um nome entre outros, mais cedo ou mais tarde, todos os outros nomes se tornam despersonalizados, meras cifras empregadas para identificar outros de acordo com sua função ou papel, sem levar em consideração a dignidade e a reverência inerentes a cada pessoa e a cada coisa".
É a mania estranha de usar o nome de Deus para nomear o inominável. E não importa qual nome: Deus, Jesus ou Espírito Santo, o que interessa é associá-lo ao sucesso da teologia em questão. Juan Árias, jornalista e escritor, em seu livro "Jesus, esse desconhecido", diz: "Só em um lugar vi escrito com grandes letras, com tinta negra, o nome de Jesus, onde ele provavelmente se teria sentido à vontade. Onde possivelmente seu nome não estava escrito em vão. Vi-o numa rua do Rio escrito em uma caixa de madeira que um menino sem casa e sem família levava na mão com uma escova velha e um pouco de graxa, tentando convencer os transeuntes de que o deixassem limpar os sapatos". Heresia?
O mandamento de Deusteronômio 5. 8-10 diz sobre não fazer imagens de escultura. A igreja evangélica não faz as imagens - não no templo - mas faz na mente e na alma! O problema é que, secretamente, gostamos dos ídolos, porque alimentamos uma oculta ilusão de controle. A adoração dos ídolos sempre foi o jogo religioso predileto. Sem falar que nossos ídolos - de carne e osso - com os bolsos cheios das ofertas astronômicas, são piores e mais perigosos que as imagens.
Chega de tanto Deus! Ouso pedir silêncio! Essa banalização do sagrado precisa parar. Hé Deus demais e caráter de menos. Deus demais e absurdos demais. Enquanto essa teologia canalha continuar solta, de tanto falar em Deus, acabamos nos demonizando. Paradoxal não? "Deus" demais revelando demônios ocultos. Gritamos sobre uma presença de Deus, mas será que sentimos a dor de sua ausência?
Deus demais é idolatria. Diabo demais é fetiche. Crente demais é fanatismo. Bendito seja o equilíbrio!


fonte:http://alanbrizotti.blogspot.com/
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